Quarta-feira, Janeiro 02, 2008
Segunda-feira, Outubro 22, 2007
INQUIETAÇÃO
Sob a qual estão as brasas que nos mantêm aos saltos, que queimam as solas e renovam a pele. Que ata o estômago e desata a mente e a faz correr cega contra a parede. E bate… e levanta-se… e torna a bater… e acomoda-se… e desinquieta-se…
E pára….
E estagna…
E desaparece no meio da estranha neblina da felicidade acomodada. E a mente já não se inquieta, não se exercita, fica gorda, suada, mórbida, presa à cama. Deixa de poder sair… não cabe na porta.
.
Deixou de olhar para trás…
E reacendem-se as brasas, corre-se, salta-se, atam-se novos nós no estômago, curtem-se de novo as pequenas infelicidades…
…emagrece-se.
Sai-se novamente da porta.
Sofre-se com gosto.
Re-inquietação.
Re-desinquietação.
Re-inquietação.
Respira.
Re-expira.
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Mig
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Segunda-feira, Outubro 22, 2007
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Já se atreveram
Domingo, Setembro 23, 2007
Não sei me repita, se me deito fora, se me rasgo em mil bocados, se me volto a colar com fita cola. Se me reavalio, me reconstituo, me faço parar e me recomeço…. Me reinvento. Falta-me o primordial e umbilical objectivo de ser para que saiba depois o que fazer. Como saberei eu o que fazer comigo se não sei realmente o que sou e para que sirvo?
Derrotista? Pessimista?
Não me parece.
Parece-me que quem resolveu esta questão passou-lhe à frente, contornou, não evitou numa preguiça comodista e saudável. Esse sim o verdadeiro e honesto (?) modo de bem viver. Mas e se fosse questionado?… Se fosse realmente imperativo saber… Escolheria certamente a religião à resposta simples: Somos feitos para comer, foder e morrer.
E como é que se encaixa aqui uma inquietação?
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Mig
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Domingo, Setembro 23, 2007
9
Já se atreveram
Quinta-feira, Setembro 13, 2007
Um tempo que passou
Vou
uma vez mais
correr atrás
de todo o meu tempo perdido
quem sabe, está guardado
num relógio escondido por quem
nem avalia o tempo que tem
Ou
alguém o achou
examinou
julgou um tempo sem sentido
quem sabe, foi usado
e está arrependido o ladrão
que andou vivendo com meu quinhão
Ou dorme num arquivo
um pedaço de vida
a vida, a vida que eu não gozei
eu não respirei
eu não existia
Mas eu estava vivo
vivo, vivo
o tempo escorreu
o tempo era meu
e apenas queria
haver de volta
cada minuto que passou sem mim
Sim
encontro enfim
iguais a mim
outras pessoas aturdidas
descubro que são muitas
as horas dessas vidas que estão
talvez postas em grande leilão
São
mais de um milhão
uma legião
um carrilhão de horas vivas
quem sabe, dobram juntas
as dores colectivas, quiçá
no canto mais pungente que há
Ou dançam numa torre
as nossas sobrevidas
vidas, vidas
a se encantara se combinarem vidas futuras
Enquanto o vinho corre, corre, corre
morrem de rir
mas morrem de rir
naquelas alturas
pois sabem que não volta jamais
um tempo que passou
(Ou dançam numa torre...)
(Enquanto o vinho corre, corre, corre...)
Música: Sérgio Godinho
Letra: Chico BuarqueI
n: "coincidências" 1983
E passa sempre o tempo e para mim passou. E cada vez mais passa e cada vez mais estou consciente que passa e que passou e que muito ficou e que já não chegará e que não chega e que não volta para trás e o cliché que isto é… mas é sério, é grave e não tem solução. E o vinho corre, corre, corre…. E escorre-me dos lábios para fora porque é muito e não é demais, mas a boca é pequena, não dilata, engasga-se e deixa que se absorva na camisola que não tem culpa e espalha-se no chão… em segunda mão. E olho para os tijolos da minha parede e estão mal dispostos e mal dispostos e apetece-me que se partam e que surjam novas paredes, mas surgirão também tortas, mas serão outras, CONVULSÃO!! Onde está o arquivo? Qual é a gaveta? Onde está escondido?
Lambo sofregamente o vinho do chão. Acabaram-se as férias.
E vou tirando devagarinho as teias de aranha
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Mig
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Quinta-feira, Setembro 13, 2007
5
Já se atreveram
Sábado, Agosto 11, 2007
Aluga-se pântano pequeno, lugar para um e vista para lugar nenhum.
...Poder-se-ia dizer que nesta altura do ano uma interrupção anunciada só poderia querer dizer uma coisa.
Que o réptil aqui do pântano procura águas mais mornas para amolecer a pele… É possível...
Mas que não haja enganos, o bicho não vai de férias (f****) vai em viagem de enriquecimento e estudo. Vai sofrer muitíssimo em prol do alargar de horizontes, coisa manifestamente difícil para o animal rasteiro que é.
O Adriático espera-o. E, como sempre, vai chegar atrasado… Anunciará o seu regresso com a pompa e circunstância que se exige no cumprimento de tamanha diligência. Até ver…
...
...
...
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Mig
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Sábado, Agosto 11, 2007
6
Já se atreveram
Domingo, Agosto 05, 2007
Sábado, Agosto 04, 2007
Sincronização Sentimental ou a Neuroanatomia de um Beijo
Mas sincronia sem graciosidade não deixaria de ser sincronia, presumo que não haja júri e muito menos nota artística para a empatia criada, para um reconhecimento do estado de espírito alheio.
E cria-se o tango instantâneo (não confundir com Tang instantâneo)
Olha-se, cala-se e beija-se… Claramente! Não restam dúvidas no eternamente repetido romance de cordel. Mesmo que o beijo seja surdo-mudo é uma dança! E dança! E quem sou eu para a recusar.
Esqueço os calos. Calo-me.
(Este também calha aqui bem. Demasiado bem)
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Mig
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Sábado, Agosto 04, 2007
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Já se atreveram









